É um termo utilizado para descrever um conjunto de alterações do desenvolvimento e da postura, que causam limitações de atividades, alterações sensoriais, de percepção, de comunicação e de comportamento. A lesão pode ocorrer durante a gestação, durante o parto ou nos primeiros 2 anos de vida, tendo várias causas.
Existem 3 tipos clínicos, espástico, atáxico e discinético, que pode ser distônico ou coreoatetóide.
O tipo mais frequente é o espástico (75%), e existe uma classificação de acordo com o grau de acometimento motor, que vai de 1 a 5, do mais leve ao mais grave (GMFCS).
As deformidades ortopédicas ocorrem em todos os níveis motores, sendo muito importante o acompanhamento com ortopedista pediátrico com experiência em neuro-ortopedia, para que seja feita a prevenção de deformidades mais graves.
A deformidade mais frequente é o equino, onde a criança anda na ponta dos pés, e a segunda é a luxação do quadril.
Quanto mais grave o comprometimento motor, maior a chance de luxação do quadril, os pacientes com nível motor V têm maior incidência de luxação. Os quadris devem ser monitorados em todos os pacientes com PC, embora nos níveis com menor comprometimento seja menor a incidência de luxação, também pode acontecer. Esse monitoramento é realizado através do exame físico e radiográfico, para que a subluxação seja diagnosticada precocemente, quando pode ser realizada a cirurgia preventiva, que atua somente nos tendões. Caso a subluxação progrida, a cirurgia reconstrutiva é indicada, e é feita nos ossos e tendões.
Fontes:
Fonseca, LF et al. Encefalopatia crônica. In: Xavier CC, Pianetti G. Compêndio de neurologia infantil. 2 ed. Rio de Janeiro: Medbook, 2011. p 669-679.
Soo B, Howard JJ, Boyd RN, Reid SM, Lanigan A, Wolfe R, Reddihough D, Graham HK. Hip displacement in cerebral Palsy. J Bone Join Surg. 2006; 88-A:121-129.
Hagglund G, Lauge-Pedersen H, Wagner P: Characteristics of children with hip displacement in cerebral palsy. BMC Musculoeskelet Disord 2007;8:101.
